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9.12.14
11.8.14
península ibérica
1/15/14 at 4:55 PM
Tudo isto se mistura com uma relação afectiva em geral.. que não sei explicar muito bem. (again estupada da identidade) Daí vem a península.. a perspectiva, a portugalidade, o facto de gostar do alentejo e continuar a gostar quando se passa a fronteira. Nem quero discutir fronteiras, ou quero, mas não com as cartilhas de sempre. Acho muita graça à relação das pessoas do porto, minho e trás-os-montes com os galegos, talvez seja naif, mas apercebo-me de tantas relações que são de pura empatia.. talvez porque se tratam como regiões e não como países. E o português que se fala na fronteira em trás-os-montes quase não se distingue do galegó-qualquercoisa que se fala pra lá da fronteira. Daí vinha também o interesse em Cambedo da Raia (2º post no blog), podemos falar disso depois. Bom, isto não é para questionar nada, mas é uma espécie de constrangimento por sentir que ali já não me pertence. Uma vez ouvi o frank zappa dizer que não era particularmente patriótico em relação aos estados unidos mas que lhes reconhecia uma vantagem quando comparando com a europa, porque sentia que naquela imensidão de território, podia chegar à outra ponta do continente e continuar a sentir-se em casa e que os franceses olham para os países vizinhos mesmo ao lado e dizem ide-vos foder, isto vale o que vale e é erróneo em parte (então quando começa a aparecer o méxico, esquece) mas pensei que havia de qualquer coisa de curioso na afirmação. Será mesmo a língua a puta da pátria??? Uma grande ibéria seria necessáriamente broken, sim. Mas quero aprofundar os majos e as majas, perceber o que quer o antónio sardinha e de que é feito o nacionalismo português, está-me a interessar a questão basca, nacionalismo fabricado e os bascos que se estão a cagar para españa e para euskadi e andam a patinar ali no meio. E por fim, apetece-me a música, a televisão e os livros e essas coisas na península. Criar legendas..
Tudo isto se mistura com uma relação afectiva em geral.. que não sei explicar muito bem. (again estupada da identidade) Daí vem a península.. a perspectiva, a portugalidade, o facto de gostar do alentejo e continuar a gostar quando se passa a fronteira. Nem quero discutir fronteiras, ou quero, mas não com as cartilhas de sempre. Acho muita graça à relação das pessoas do porto, minho e trás-os-montes com os galegos, talvez seja naif, mas apercebo-me de tantas relações que são de pura empatia.. talvez porque se tratam como regiões e não como países. E o português que se fala na fronteira em trás-os-montes quase não se distingue do galegó-qualquercoisa que se fala pra lá da fronteira. Daí vinha também o interesse em Cambedo da Raia (2º post no blog), podemos falar disso depois. Bom, isto não é para questionar nada, mas é uma espécie de constrangimento por sentir que ali já não me pertence. Uma vez ouvi o frank zappa dizer que não era particularmente patriótico em relação aos estados unidos mas que lhes reconhecia uma vantagem quando comparando com a europa, porque sentia que naquela imensidão de território, podia chegar à outra ponta do continente e continuar a sentir-se em casa e que os franceses olham para os países vizinhos mesmo ao lado e dizem ide-vos foder, isto vale o que vale e é erróneo em parte (então quando começa a aparecer o méxico, esquece) mas pensei que havia de qualquer coisa de curioso na afirmação. Será mesmo a língua a puta da pátria??? Uma grande ibéria seria necessáriamente broken, sim. Mas quero aprofundar os majos e as majas, perceber o que quer o antónio sardinha e de que é feito o nacionalismo português, está-me a interessar a questão basca, nacionalismo fabricado e os bascos que se estão a cagar para españa e para euskadi e andam a patinar ali no meio. E por fim, apetece-me a música, a televisão e os livros e essas coisas na península. Criar legendas..
novela de Belchite
1/15/14 at 4:55 PM
Mas pensei numa novela para Belchite.. Belchite é a capitulação da revolução e da guerra, mesmo a final... Tem um sub-texto incrível. Aquilo não interessava para nada, o que interessava era Zaragoza, mas o exército popular precisava de uma vitória fácil e rápida para consolidar a sua posição (militarizar as milícias e as colunas no seu regimento e acabar com a destabilização, foi o que na pequenez dos eventos se proporcionou...). Aqui entra faca e alguidar, sangue e lágrimas.. generais que não querem ser generais.. enfim...
Mas pensei numa novela para Belchite.. Belchite é a capitulação da revolução e da guerra, mesmo a final... Tem um sub-texto incrível. Aquilo não interessava para nada, o que interessava era Zaragoza, mas o exército popular precisava de uma vitória fácil e rápida para consolidar a sua posição (militarizar as milícias e as colunas no seu regimento e acabar com a destabilização, foi o que na pequenez dos eventos se proporcionou...). Aqui entra faca e alguidar, sangue e lágrimas.. generais que não querem ser generais.. enfim...
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5.8.14
4.8.14
20.7.14
Vivancos: el revolucionario apacible
José Álvarez / Ars Operandi
La Sala CajaSur-Gran Capitán acoge desde principios de este mes la exposición de pinturas de Miguel García Vivancos, realizada por la Obra Social y Cultural CajaSur aportando fondos propios de la entidad, una colección de óleos sobre lienzo fechados entre 1963 y 1971, donde Vivancos despliega su habitual repertorio temático: paisajes campestres, fiestas, vistas de pueblos, interiores y bodegones llenos de color y detallismo, una visión personal melancólica y tranquila que situó al pintor como uno de los más importantes pintores naif de la segunda mitad del pasado siglo.
Lo cierto es que la azarosa vida de Miguel García Vivancos, hoy considerado el más internacional de los pintores naifs españoles, distó mucho de tener relación alguna con las artes plásticas en más de la mitad de su discurrir, y no fue hasta que Vivancos cumplió 50 años, cuando el antiguo revolucionario y luego disciplinado militar al servicio de la República tomase telas y pinceles con un propósito claro de subsistencia en plena posguerra mundial; pero, con tanta fortuna, que llevó a Picasso a decir de sus obras que “obliga al que las contempla a amar su pintura".
Miguel García Vivancos nació en Mazarrón, en la provincia de Murcia, el 19 de abril de 1895, aunque pronto marchó con la familia a Barcelona, donde comenzó a trabajar y a militar en el anarcosindicalismo desde fechas tempranas. Su carrera como hombre de acción de la C. N. T. está ligada a los momentos más duros del sindicalismo español. Los hombres de acción eran la respuesta armada al terrorismo blanco ejercido por la patronal a través de pistoleros a sueldo para combatir al movimiento obrero. Desde la C. N. T. se forma el grupo “Los Solidarios”, del que formaron parte inicialmente, y además de diversos colaboradores directos y personas de confianza, Eusebio Brau y Alfonso Miguel, catalanes; Rafael Torres Escarpín y Francisco Ascaso, aragoneses; Aurelio Fernández, asturiano; Gregorio Suberviela, castellano; Buenaventura Durruti, Antonio El Toto y Manuel Campos Torinto, leoneses; Bargutia, vasco, y los levantinos Ricardo Sanz y Miguel García Vivancos.
La Sala CajaSur-Gran Capitán acoge desde principios de este mes la exposición de pinturas de Miguel García Vivancos, realizada por la Obra Social y Cultural CajaSur aportando fondos propios de la entidad, una colección de óleos sobre lienzo fechados entre 1963 y 1971, donde Vivancos despliega su habitual repertorio temático: paisajes campestres, fiestas, vistas de pueblos, interiores y bodegones llenos de color y detallismo, una visión personal melancólica y tranquila que situó al pintor como uno de los más importantes pintores naif de la segunda mitad del pasado siglo.
Lo cierto es que la azarosa vida de Miguel García Vivancos, hoy considerado el más internacional de los pintores naifs españoles, distó mucho de tener relación alguna con las artes plásticas en más de la mitad de su discurrir, y no fue hasta que Vivancos cumplió 50 años, cuando el antiguo revolucionario y luego disciplinado militar al servicio de la República tomase telas y pinceles con un propósito claro de subsistencia en plena posguerra mundial; pero, con tanta fortuna, que llevó a Picasso a decir de sus obras que “obliga al que las contempla a amar su pintura".
Miguel García Vivancos nació en Mazarrón, en la provincia de Murcia, el 19 de abril de 1895, aunque pronto marchó con la familia a Barcelona, donde comenzó a trabajar y a militar en el anarcosindicalismo desde fechas tempranas. Su carrera como hombre de acción de la C. N. T. está ligada a los momentos más duros del sindicalismo español. Los hombres de acción eran la respuesta armada al terrorismo blanco ejercido por la patronal a través de pistoleros a sueldo para combatir al movimiento obrero. Desde la C. N. T. se forma el grupo “Los Solidarios”, del que formaron parte inicialmente, y además de diversos colaboradores directos y personas de confianza, Eusebio Brau y Alfonso Miguel, catalanes; Rafael Torres Escarpín y Francisco Ascaso, aragoneses; Aurelio Fernández, asturiano; Gregorio Suberviela, castellano; Buenaventura Durruti, Antonio El Toto y Manuel Campos Torinto, leoneses; Bargutia, vasco, y los levantinos Ricardo Sanz y Miguel García Vivancos.
“Los Solidarios” comienzan entonces a buscar fondos para la causa de todas las maneras posibles, incluidos atracos a bancos e instituciones y extorsiones a empresarios. Este modo de financiación procuró al grupo dinero en metálico con el que armarse y establecer una sólida infraestructura.
La actividad de “Los Solidarios” no se limitaba a las actuaciones armadas. Editan revistas y periódicos como Crisol, de distribución gratuita entre los militantes anarquistas, financian la Librería Internacional de París -más un centro de apoyo a refugiados anarquistas que librería-, costean escuelas gratuitas, ayudan a trabajadores en huelga y a los familiares de los sindicalistas asesinados… La osadía del grupo era enorme: en octubre de 1923 se las ingeniaron para comprar 1.000 rifles y 200.000 cartuchos de la marca Gárate y Anitua, en Eibar, los cuales trasladaron y almacenaron en Barcelona, esperando usarlos en un gran levantamiento armado que, al fracasar, supuso la devolución al fabricante, quien las aceptó como “mercancía devuelta” . Esto da idea de la gran eficacia organizativa del grupo.
A la vez, van cayendo bajo las balas los objetivos anarquistas: el cardenal Soldevila, en Zaragoza, el ex gobernador de Bilbao, González Regueral, en León, Ramón Laguía, jefe de los pistoleros del Libre, en Manresa, y otras personas que se habían significado activamente en la represión contra el movimiento obrero . Por parte de “Los Solidarios”, el primero en caer será Eusebio Brau, muerto por disparos de la Guardia Civil en septiembre de 1923, dos días después del atraco al Banco de España en Gijón, al ser descubierto el grupo en Oviedo. García Vivancos marcha entonces con Durruti a París para atentar contra el pretendiente carlista don Jaime, al que no logran localizar, por lo que regresan a Barcelona. Torres Escarpín, Ascaso y Fernández buscan en San Sebastián a Martínez Anido infructuosamente, ya que este se hallaba a resguardo en La Coruña temiendo las represalias anarquistas antes de ser nombrado Alto Comisario de Marruecos. Aún así, le siguen hasta allí, sin lograr encontrarlo, al parecer descubiertos por uno de sus escoltas. Las detenciones, los enfrentamientos con la policía son continuos. También son abatidos por la policía secreta Suberviela y Campos, en 1924 , y Ascaso es detenido acusado del asesinato de Soldevila. Con la llegada de la Dictadura de Primo de Rivera, la represión contra los anarquistas aumenta. El nuevo régimen decreta la ilegalización de la C. N. T., la clausura de sus locales y la prohibición de sus periódicos, como Solidaridad Obrera, el de mayor circulación, y se ordena fichar a todos los militantes anarquistas. García Vivancos es detenido y condenado a tres meses de cárcel por desórdenes públicos. Tras ser puesto en libertad se exilia a Francia con otros compañeros de “Los Solidarios”, donde prosiguen sus actividades contra la Dictadura.
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| Mandos del XII Cuerpo de Ejército con el comandante de la 25º División García Vivancos (al centro) durante la toma de Belchite (06-09-1937) |
A inicios de 1925 el grupo decide marchar a América con la idea de potenciar el movimiento obrero y desencadenar la revolución en el continente americano. Recalan en Cuba, México, Perú y Chile, comprobando que la clase obrera, pese a la opresión soportada y a la general miseria, carece totalmente de conciencia revolucionaria, resultando imposible encontrar apoyo alguno a su causa. En Chile, una parte de “Los Solidarios”, entre ellos García Vivancos, abandona el grupo para volver a Francia, embarcando en Valparaíso.
Sus actividades clandestinas prosiguen y a la llegada de la II República está envuelto en las sublevaciones de la F. A. I. y en la oposición a las líneas moderadas anarcosindicalistas, pero en febrero de 1936 actúa de mediador entre anarquistas y frentepopulistas para aunar las fuerzas de ambos bloques con vistas a las elecciones. En julio de 1936, tras luchar en las calles y frenar la sublevación facciosa en Barcelona, García Vivancos forma junto a Jover y García Oliver la columna “Los Aguiluchos”, con la que parten al frente la última semana de agosto. A partir de entonces García Vivancos se alinea como defensor de la República, anteponiendo la disciplina a la actitud revolucionaria, consciente de la necesidad de dotar a las milicias de un orden que supusiera una mayor efectividad en el combate.
Durante la guerra, García Vivancos está presente en diversos episodios como la Batalla de Teruel, donde cae herido. Será ascendido a teniente coronel, ostentando el mando de las divisiones 24º y 25º. El último tramo de la guerra lo pasará como jefe de la zona fronteriza de Puigcerdá, donde organiza la evacuación de cerca de 100.000 personas, cuidando de que no se produzcan desmanes durante la retirada de las tropas. Al fin pasa la frontera el 13 de febrero de 1939.
El destino de García Vivancos es el mismo que el de aproximadamente la mitad del más de medio millón de españoles que pasaron los Pirineos huyendo de la represión de las tropas franquistas: los campos de concentración franceses, un nombre que, en muchos casos, se da a una simple playa rodeada de alambradas. Pasa en los campos de concentración cuatro años, hasta que es liberado por la Resistencia, a la que se une, luchando contra los nazis hasta la liberación de Francia en 1944.
La posguerra en Francia es de gran dureza, y más para un exiliado español. García Vivancos y su compañera Pilar subsisten desempeñando diversos trabajos, los que se ofrecen. A través de un conocido entra a trabajar con un emigrado ruso propietario de un pequeño negocio artesanal de venta de pañuelos y chales de seda pintados a mano. Vivancos comienza entonces a pintar por vez primera y, poco a poco, va aprendiendo la técnica y el secreto de los colores, de una forma práctica. Mediante tesón y esfuerzo, Vivancos consigue adquirir los conocimientos necesarios para pintar, produciéndose una verdadera revelación en el ánimo del antiguo revolucionario. El descubrimiento de la creación pictórica supone un deseo para Vivancos de dedicar su esfuerzo a la pintura. Se siente un hombre nuevo y sabe que en esta capacidad artística que ha descubierto se encuentra su futuro.
Deseoso de conocer alguna opinión autorizada sobre su pintura, decide ir a ver a Picasso a París y mostrarle al maestro sus obras. Picasso se convertirá desde ese momento en su gran valedor. Su apoyo no se limita a unas palabras afectuosas, sino que llama a Marie Cuttoli, marchante, quien introduce a Vivancos en los círculos coleccionistas, que comienzan a comprar su obra. Con el paso de los años, personajes populares como Pablo Neruda, los Rothschild, Dora Maar, Anthony Quinn, Greta Garbo, Helena Rubinstein, Kirk Douglas o François Mitterrand junto a otros muchos reputados coleccionistas adquirirán lienzos de Vivancos, quien vive en los 50 y 60 una exitosa carrera.
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| Tulipes, 1968 |
Nostálgico de su patria, y conocedor de su delicado estado de salud, solicita permiso oficial para regresar a España, que se le concede en 1970, retornando al fin en noviembre de 1971.
Vivancos elige Córdoba para establecerse. En París un amigo, exiliado como él, le había recomendado la ciudad andaluza, en la que vivía su hermano, como la más indicada para su salud por su clima seco. Vivancos llega con Pilar y sus hijas, Elena y Sara, radicándose en el barrio de Ciudad Jardín. Pronto toma contacto con intelectuales y coleccionistas, como Castilla del Pino y Leandro Jimena, así como con artistas, y su casa es frecuentemente visitada, lo que preocupa a sus nuevos amigos, dada la antigua significación política de Vivancos, que se comporta con sencillez y una cierta ingenuidad, teniendo en cuenta que la dictadura aún duraría cuatro años más. Todavía son objeto de una discreta vigilancia, pues en ambientes policiales la familia es señalada como “miembros del anarquismo internacional”, e incluso sufrirán las molestias de llamadas anónimas. Vivancos, muy quebrantado de salud, aunque con buen aspecto y un admirable porte a sus 77 años, a los dos meses de su llegada es ingresado en el Hospital Provincial, donde fallece el 23 de enero de 1972.
En octubre de ese mismo año, la galería Studio 52, propiedad del fotógrafo José Jiménez Poyato, quien la dirigía junto al crítico Francisco Zueras, organiza la primera exposición póstuma del pintor. Ya en el mes de abril, Sara Vivancos, quien había comenzado su carrera artística, expone en la Sala Céspedes del Círculo de la Amistad. La familia decide entonces intentar la aventura como galeristas e inaugura la Galería Vivancos en la calle Doce de Octubre. La existencia de la galería es corta, aunque da tiempo a acoger una interesante programación que incluirá a nombres como Juan Molina, Ginés Liébana, Gerardo Delgado o José Ramón Sierra, así como una doble exposición de arte joven cordobés entre los que se incluyen artistas como José María Báez, José María García–Parody, Rafael Cabrera y la propia Sara Vivancos. En junio de 1975, la galería acoge la antológica dedicada a Miguel García Vivancos. Tras un total de 11 exposiciones, la galería cerrará sus puertas, marchando entonces la familia a vivir a Italia.
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| Artículo del periodista cordobés Eladio Osuna en el Correo de Andalucía dando cuenta de la exposición póstuma de Vivancos en Studio 52 |
Córdoba acogerá aún dos exposiciones más del pintor. En 1989 la titulada Vivancos, que también visitaría las ciudades de Jaén y Murcia. En 1995 son las salas de la Caja Provincial de Ahorros las que acogen la muestraCentenario de Vivancos. La actual exposición Vivancos, que se lleva a cabo en la Sala CajaSur-Gran Capitán, muestra la colección de lienzos del pintor perteneciente a los fondos pictóricos de CajaSur. La exposición, realizada con la colaboración de la Fundación Provincial de Artes Plásticas Rafael Botí, realizará posteriormente una itinerancia por diversos pueblos de la provincia cordobesa.
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Goya, Nacionalismo e Inferno
12/17/13 at 3:29 PM
1- "pão e touros", já te tinha mandado um excerto do panfleto provocatório do León de Arroyal, aqui o surgimento de uma "classe" muito interessante dentro das classes baixas populares , Majos y Majas, as ralés urbanas ultraconservadoras, que vestem fatos exagerados de um folclore tipicamente espanhol que se vai formando (birth of complex lenita). Que nas touradas se vêm representados no matador a pé, que provém da sua estirpe, e que complementa os até então exclusivos toureiros aristocratas (ou assim para o nobre) a cavalo. Os majos e as majas vão passar os domingos em grandes piqueniques nos arrabaldes à saída da urbe e distinguem-se de certas juventudes mais previligiadas influênciadas pelo iluminismo(os pobres, os mesmo da miséria, aparentemente ainda não entram nesta equação), procuram bulhas com eles e chamam-nos "afrancesados".
2- "eu vi isto", a direita, os monarcóides em geral vão invocar a guerra de independência de 1808 aquando do golpe`36, o 2 de maio, a devastação do napoleão, um caos, e uma vergonha frustrante para um movimento liberal que se vai enterrar à grande.
«O Dois de Maio de 1808, ocorrido em Madrid, é um dos acontecimentos que mais tem sido interpretado, apropriado e manipulado
historicamente pelos diferentes regimes, partidos e ideologias implicadas no processo de “construção”, definição e consolidação discursiva da nação, da memória colectiva, da identidade e do Estado nacional espanhol.» (Janete Abrão)
o nacionalismo(ainda está só a começar) e o tradicionalismo modernos(contrasenso?) vêm daí. E são ilustrações negras dessas contradições que o goya faz.
«A reacção pode implantar-se a partir das alfurjas do estrangeiro, mas nunca a revolução se exporta nas pontas das baionetas.»
3- "disparates", fazendo referência a uma das séries de gravuras brutais do méne (como os desastres e os caprichos), é descrita a descida aos infernos deste período, aos vários infernos, aos interiores, aos metafóricos, aos do imaginário colectivo, ao da guerra imperialista, ao da psicose nacionalista. Uma ligação, talvez forçada, aos subterrâneos ibéricos de que falavas e que procuras (mais uma).
e há muita pintura e gravura a acompanhar isto, claro. e muitas biografias paralelas.
Onde se arruma isto? aqueles caixotes ainda existem? no arquivo mais geral? (memória/arquivo/ficção). Já tens alguma coisa empilhada?
Ainda não tive tempo de ver uma data de coisas (até algumas que te mandei). Tenho de ver o orlando ribeiro, que não conheço, geografias sociais parecem interessantes. No outro dia surripiei o "erotismo" da biblioteca de um amigo meu, de maneiras que o tenho aí e vou folheando.. Outras coisas virão. Não sabia nada da "mala de cartão", parece-me óptimo um diálogo com o Brandão.. no mínimo. Promete. Enfim, tem tudo um ar gostoso..
Em relação ao arquivo, acho que acrescentaria mais dois caixotes ou sub-caixotes: memórias afectivas (nossas) e ensaios/fugas para quando se quiser experimentar um lirismo ou uma condução qualquer.
Mas pronto, como te disse, não consigo discorrer muito sobre o macro agora, dentro da cabeça. Vou pista a pista... para não me perder.
E é isso, e tu? a quantas andas?
até,
bejo
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PAN Y TOROS
O majo e a maja, que são para o povo espanhol dos anos de 1780 o que o pícaro fora um século mais cedo, o que o incroyable foi para a burguesia de 1800, o que o zazou será para a para a pequena burguesia de 1944, são a encarnação ingénua e pitoresca das contradições e dos sentimentos do povo espanhol de então. Esta bela ovelha ranhosa mai-la companheira são os melhores rapazes e raparigas de certo mundo. Sempre prontos a armar zaragata ou a partir a loiça toda, a ajoelhar-se diante de uma procissão, a gritar: «Viva o rei!», E a achar que a Espanha antiga possuía todas as virtudes, que hoje em dia se perdem. Desconfiam dos filósofos e dos discípulos das luzes, que querem transplantar para Espanha reformas talvez necessárias, mas seguramente estrangeiras. Como os industriais de 1927 iam dançar à rua da Lappe, os grandes senhores de 1780 disfarçam-se de majos de majas, aplaudem no teatro os Sainetes populares de Ramon de la Cruz, caros à gentinha madrilena, recebem em sua casa os toreros e disputam os comediantes.
(...)
EU VI ISTO
Quando os regicidas de Paris, ao mesmo tempo que a cabeça de um rei, fazem em postas o pilar do feudalismo, a Espanha inteirinha é transportada pela indignação. A guerra que Manuel Godoy declara à República Francesa é uma guerra nacional. São recursos voluntários e o sangue entusiasta do povo que erguem esse exército cujo objectivo é libertar a França do jugo infame da liberdade. Bastam algumas semanas para que esse grande vento caia, que esses recursos se esgotem, e que esse entusiasmo dê lugar ao derrotismo. O próprio Godoy constata: Ninguém aprovava a marcha violênta da Revolução francesa, mas abraçavam-se de boa vontade as teorias que a tinham produzido; via-se com maus olhos uma cruzada armada para a abafar. Godoy esse, segue sempre os movimentos que finge dirigir, suspende as despesas, assina em 1795 a paz de Basileia. É em 1798, três anos mais tarde, que Goya pinta o retrato do embaixador de França em Madrid, o ex-regicida Ferdinand Guillemard. O homem que votou a morte do Bourbon de Paris representa a França junto do Bourbon de Madrid. Godoy escreve dessa época: A geração nascente mostrava uma predilecção muito viva pela nova França... sobretudo os jovens da classe intermediária, e alguns das classes priveligiadas. Mesmo em Madrid ...viu-se ...as damas da mais alta nobreza mostrarem-se em público, enfeitadas com fitas tricolores. (...)
Para Goya e os amigos, nenhuma dúvida: a França revolucionária é a pátria da Liberdade. E continua a sê-lo a seus olhos, quando ela se torna a presa desse pequeno Corso ambicioso, que começa por ser a encarnação da revolução armada, antes de ser a revolução asfixiada. Todas as contradições que vão dilacerar Goya, os amigos, o povo espanhol, vêm daí. As alternâncias entre submissão e revolta, de indiferênça e resistência, que nos chocam em Goya, como em tantos dos seus contemporâneos, existe sobretudo esse conflito latete, ainda mal decifrado por eles, que opõe, na ambiguidade de Bonaparte, a França de 1789 ao Império de 1802.
A maior parte dos amigos de Goya, para quem a França é pátria das luzes e a conquistadora da liberdade, aderem ao novo regime: Moratin, Melendez, Valdez, Yriarte, Llorente. Goya assiste à sessão da Academia em que Yriarte saúda em José o sábio monarca D. José I (o ingénuo irmão de napoleão que este põe a governar madrid).
Jovellanos é mais lúcido. Entreviu imediatamente que a ocupação militar não pode em nenhum caso significar libertação de tiranias. A emancipação social e a presença de soldados estrangeiros são incompatíveis, e o exército dos invasores está às ordens de um rapace. José I bem pode dar-se ares de monarca esclrecido e protector do povo. Napoleão está-se nas tintas para os seus esforços que, em definitivo, servem os seus objectivos. Servem como uma máscara serve um malandrim. José é o "homem de palha" ingénuo do manhoso irmão. Enquanto José abole a Inquisição, decreta a suspensão dos direitos feudais, espadeira no papel as instituições da feudalidade, Napoleão torpedeia tranquilamente os seus esforços fazendo da Espanha uma nação desmantelada, sangrada ao estremo para sustentar o esforço da guerra imperial. Jovellanos vê claro: Eu não pertenço a um partido, diz ele, mas à santa casa da independência da minha pátria... Poderá José aplicar os belos princípios do rei filósofo a um povo devastado por soldados estrangeiros? A reacção pode implantar-se a partir das alfurjas do estrangeiro, mas nunca a revolução se exporta nas pontas das baionetas. O exército francês, acolhido pela simpatia passiva ou pela indiferença benevolente do povo espanhol, alguns meses bastam para que apareça como o que sempre foi: um exército inimigo. (...)
OS DISPARATES
William Blake é simplesmente um homem cujos pesadelos são a «projecção» das paisagens industriais da Inglaterra do seu tempo, cujo inferno, como o demonstrou o crítico inglês Klingender, é directamente inspirado pelas fábricas infernais em que penavam os operários de Manchester. O autor de Cantos da inocência e de experiência é um demente perfeitamente razoável. (...)
Quando pinta o inferno, é porque é contemporâneo do inferno. Mas Blake é um grande poeta, e um desenhador medíocre. E, no entrelaçado das suas contradições e quimeras, nessa mistura singular de espírito revolucionário e alucinação metódica, há qualquer coisa que faz dele o contemporâneo de alma e data do velho surdo. Goya podia escrever, à margem dos seus pesadelos nocturnos e sob as suas visões de guerra: Eu vi isto. E Goya, sem dúvida mais por prudência de que por descuido, omitiu pôr legendas a muitos dos Disparates, essas legendas existem de antemão: são os Provérbios do inferno de Blake: Se o louco persistisse na sua loucura dava em sábio... As prisões são construídas com as pedras da religião... A alegria engendra, a dor traz ao mundo... O que é fraco pela coragem é forte pela manha... O ar está para a ave, ou o mar para o peixe, como o desprezo está para o desprezível... Os tigres da cólera são mais sábios que os cavalos da instrução. (...)
Os Disparates são a descida aos infernos de Goya. Ele vem de lá. Sabe que o inferno é a estupidez, e que a estupidez é tirania. Os demónios de Goya terão uma posteridade directa. Nas litografias que Delacroix, fascinado por Goya, consagra ao Fausto de Goethe, tornamos a encontrar esses monstros agachados na sombra que, de Théophile Gautier a Baudelaire, resumiam para o romantismo a mensagem de Goya. Porém, ao lado das criaturas abissais de Goya, os monstros de Delacroix são reconstituições arqueológicas, como as gárgulas que Viollet-le-Duc acrescenta à Notre-Dame. Não passam de «monos» divertidos e pitorescos. Ao passo que, para Goya, os monstros são realidade. À margem de uma gravura dos Caprichos, escreveu: Os demónios são os que fazem mal impedindo os outros de fazer bem, ou não fazem coisa nenhuma. (Esta gravura dos Caprinhos representa dois monges caricaturais, empaturrando-se complacentemente).
Realidade, os demónios eram-no para Bosch ao qual os Disparates impõem a referência, e antes de mais pelo título, que Goya pede emprestado aos críticos espanhóis de El Bosco. Eram-no com uma precisão, um rigor que Goya, de certo, não tem. (...)
E, ao termo dos Disparates, a subida dos Infernos também é uma ascensão do animal para o homem, vitória do espírito sobre as bestas que grunhem nas pregas da humanidade desfeita.
Porque Goya sobe dos infernos. É muito belo que os Disparates terminem com uma gravura que dir-se-ia o par exacto, e o contraponto, de uma das tábuas precedentes, esse «Disparate de tontos», disparate dos imbecis em que cinco touros enlouquecidos são projectados no espaço sideral. A última tábua dos Disparates não é horrível, nem talvez tão obscura, como se poderia julgar. Os cinco homens voadores de Goya, musculados, de capacete, planando num céu soberano, não são vítimas precipitadas nos abismos, mas ícaros vencedores, dominando a gravidade que faz cair nas profundezas as bestas desamparadas. (...)
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William Blake
15.7.14
estranhos jogos interactivos
FLOWERS FROM EXILE
is a larp about the International Brigades of the Spanish civil war
http://beratta.org/flowersfromexile/
(em 2015)
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The Arrow of Gold, o livro dos carlistas do Joseph Conrad
The story is set in Marseille in the 1870s during the Third Carlist War. The characters of the novel are supporters of the Spanish Pretender Carlos, Duke of Madrid.
http://en.wikipedia.org/wiki/The_Arrow_of_Gold
http://www2.hn.psu.edu/faculty/jmanis/jconrad/arrowgold.pdf
http://en.wikipedia.org/wiki/The_Arrow_of_Gold
http://www2.hn.psu.edu/faculty/jmanis/jconrad/arrowgold.pdf
14.7.14
propaganda das duas ditaduras ibéricas
e agora é que vêm as belezas, 2 filmes "irmãos" de programa:
Raza, com guião do Generalíssimo http://www.youtube.com/watch?v=XXxximSiqyg
e A Revolução de Maio
(Assumido filme de propaganda política e apologia de Salazar e do Estado Novo, foi pensado em parceria com António Ferro, responsável então pelo SPN - Secretariado da Propaganda Nacional.) http://www.youtube.com/watch?v=bfwfEYBTxnU
Franco e Salazar (doc canal história): https://www.youtube.com/watch?v=4Q1UNwzxNiQ
Franco e Salazar (doc canal história): https://www.youtube.com/watch?v=4Q1UNwzxNiQ
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1.6.14
(1937)
Yesterday all the past. The language of
size
Spreading to China along the trade-routes; the diffusion
Of the counting-frame and the cromlech;
Yesterday the shadow-reckoning in the sunny climates.
Yesterday the assessment of insurance by cards,
The divination of water; yesterday the invention
Of cartwheels and clocks, the taming of
Horses. Yesterday the bustling world of the navigators.
Yesterday the abolition of fairies and giants,
the fortress like a motionless eagle eyeing the valley,
the chapel built in the forest;
Yesterday the carving of angels and alarming gargoyles;
The trial of heretics among the columns of stone;
Yesterday the theological feuds in the taverns
And the miraculous cure at the fountain;
Yesterday the Sabbath of witches; but to-day the struggle
Yesterday the installation of dynamos and turbines,
The construction of railways in the colonial desert;
Yesterday the classic lecture
On the origin of Mankind. But to-day the struggle.
Yesterday the belief in the absolute value of Greek,
The fall of the curtain upon the death of a hero;
Yesterday the prayer to the sunset
And the adoration of madmen. but to-day the struggle.
As the poet whispers, startled among the pines,
Or where the loose waterfall sings compact, or upright
On the crag by the leaning tower:
"O my vision. O send me the luck of the sailor."
And the investigator peers through his instruments
At the inhuman provinces, the virile bacillus
Or enormous Jupiter finished:
"But the lives of my friends. I inquire. I inquire."
And the poor in their fireless lodgings, dropping the sheets
Of the evening paper: "Our day is our loss. O show us
History the operator, the
Organiser. Time the refreshing river."
And the nations combine each cry, invoking the life
That shapes the individual belly and orders
The private nocturnal terror:
"Did you not found the city state of the sponge,
"Raise the vast military empires of the shark
And the tiger, establish the robin's plucky canton?
Intervene. O descend as a dove or
A furious papa or a mild engineer, but descend."
And the life, if it answers at all, replied from the heart
And the eyes and the lungs, from the shops and squares of the city
"O no, I am not the mover;
Not to-day; not to you. To you, I'm the
"Yes-man, the bar-companion, the easily-duped;
I am whatever you do. I am your vow to be
Good, your humorous story.
I am your business voice. I am your marriage.
"What's your proposal? To build the just city? I will.
I agree. Or is it the suicide pact, the romantic
Death? Very well, I accept, for
I am your choice, your decision. Yes, I am Spain."
Many have heard it on remote peninsulas,
On sleepy plains, in the aberrant fishermen's islands
Or the corrupt heart of the city.
Have heard and migrated like gulls or the seeds of a flower.
They clung like burrs to the long expresses that lurch
Through the unjust lands, through the night, through the alpine tunnel;
They floated over the oceans;
They walked the passes. All presented their lives.
On that arid square, that fragment nipped off from hot
Africa, soldered so crudely to inventive Europe;
On that tableland scored by rivers,
Our thoughts have bodies; the menacing shapes of our fever
Are precise and alive. For the fears which made us respond
To the medicine ad, and the brochure of winter cruises
Have become invading battalions;
And our faces, the institute-face, the chain-store, the ruin
Are projecting their greed as the firing squad and the bomb.
Madrid is the heart. Our moments of tenderness blossom
As the ambulance and the sandbag;
Our hours of friendship into a people's army.
To-morrow, perhaps the future. The research on fatigue
And the movements of packers; the gradual exploring of all the
Octaves of radiation;
To-morrow the enlarging of consciousness by diet and breathing.
To-morrow the rediscovery of romantic love,
the photographing of ravens; all the fun under
Liberty's masterful shadow;
To-morrow the hour of the pageant-master and the musician,
The beautiful roar of the chorus under the dome;
To-morrow the exchanging of tips on the breeding of terriers,
The eager election of chairmen
By the sudden forest of hands. But to-day the struggle.
To-morrow for the young the poets exploding like bombs,
The walks by the lake, the weeks of perfect communion;
To-morrow the bicycle races
Through the suburbs on summer evenings. But to-day the struggle.
To-day the deliberate increase in the chances of death,
The consious acceptance of guilt in the necessary murder;
To-day the expending of powers
On the flat ephemeral pamphlet and the boring meeting.
To-day the makeshift consolations: the shared cigarette,
The cards in the candlelit barn, and the scraping concert,
The masculine jokes; to-day the
Fumbled and unsatisfactory embrace before hurting.
The stars are dead. The animals will not look.
We are left alone with our day, and the time is short, and
History to the defeated
May say Alas but cannot help nor pardon.
Spreading to China along the trade-routes; the diffusion
Of the counting-frame and the cromlech;
Yesterday the shadow-reckoning in the sunny climates.
Yesterday the assessment of insurance by cards,
The divination of water; yesterday the invention
Of cartwheels and clocks, the taming of
Horses. Yesterday the bustling world of the navigators.
Yesterday the abolition of fairies and giants,
the fortress like a motionless eagle eyeing the valley,
the chapel built in the forest;
Yesterday the carving of angels and alarming gargoyles;
The trial of heretics among the columns of stone;
Yesterday the theological feuds in the taverns
And the miraculous cure at the fountain;
Yesterday the Sabbath of witches; but to-day the struggle
Yesterday the installation of dynamos and turbines,
The construction of railways in the colonial desert;
Yesterday the classic lecture
On the origin of Mankind. But to-day the struggle.
Yesterday the belief in the absolute value of Greek,
The fall of the curtain upon the death of a hero;
Yesterday the prayer to the sunset
And the adoration of madmen. but to-day the struggle.
As the poet whispers, startled among the pines,
Or where the loose waterfall sings compact, or upright
On the crag by the leaning tower:
"O my vision. O send me the luck of the sailor."
And the investigator peers through his instruments
At the inhuman provinces, the virile bacillus
Or enormous Jupiter finished:
"But the lives of my friends. I inquire. I inquire."
And the poor in their fireless lodgings, dropping the sheets
Of the evening paper: "Our day is our loss. O show us
History the operator, the
Organiser. Time the refreshing river."
And the nations combine each cry, invoking the life
That shapes the individual belly and orders
The private nocturnal terror:
"Did you not found the city state of the sponge,
"Raise the vast military empires of the shark
And the tiger, establish the robin's plucky canton?
Intervene. O descend as a dove or
A furious papa or a mild engineer, but descend."
And the life, if it answers at all, replied from the heart
And the eyes and the lungs, from the shops and squares of the city
"O no, I am not the mover;
Not to-day; not to you. To you, I'm the
"Yes-man, the bar-companion, the easily-duped;
I am whatever you do. I am your vow to be
Good, your humorous story.
I am your business voice. I am your marriage.
"What's your proposal? To build the just city? I will.
I agree. Or is it the suicide pact, the romantic
Death? Very well, I accept, for
I am your choice, your decision. Yes, I am Spain."
Many have heard it on remote peninsulas,
On sleepy plains, in the aberrant fishermen's islands
Or the corrupt heart of the city.
Have heard and migrated like gulls or the seeds of a flower.
They clung like burrs to the long expresses that lurch
Through the unjust lands, through the night, through the alpine tunnel;
They floated over the oceans;
They walked the passes. All presented their lives.
On that arid square, that fragment nipped off from hot
Africa, soldered so crudely to inventive Europe;
On that tableland scored by rivers,
Our thoughts have bodies; the menacing shapes of our fever
Are precise and alive. For the fears which made us respond
To the medicine ad, and the brochure of winter cruises
Have become invading battalions;
And our faces, the institute-face, the chain-store, the ruin
Are projecting their greed as the firing squad and the bomb.
Madrid is the heart. Our moments of tenderness blossom
As the ambulance and the sandbag;
Our hours of friendship into a people's army.
To-morrow, perhaps the future. The research on fatigue
And the movements of packers; the gradual exploring of all the
Octaves of radiation;
To-morrow the enlarging of consciousness by diet and breathing.
To-morrow the rediscovery of romantic love,
the photographing of ravens; all the fun under
Liberty's masterful shadow;
To-morrow the hour of the pageant-master and the musician,
The beautiful roar of the chorus under the dome;
To-morrow the exchanging of tips on the breeding of terriers,
The eager election of chairmen
By the sudden forest of hands. But to-day the struggle.
To-morrow for the young the poets exploding like bombs,
The walks by the lake, the weeks of perfect communion;
To-morrow the bicycle races
Through the suburbs on summer evenings. But to-day the struggle.
To-day the deliberate increase in the chances of death,
The consious acceptance of guilt in the necessary murder;
To-day the expending of powers
On the flat ephemeral pamphlet and the boring meeting.
To-day the makeshift consolations: the shared cigarette,
The cards in the candlelit barn, and the scraping concert,
The masculine jokes; to-day the
Fumbled and unsatisfactory embrace before hurting.
The stars are dead. The animals will not look.
We are left alone with our day, and the time is short, and
History to the defeated
May say Alas but cannot help nor pardon.
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15.5.14
23.1.14
Tierra Española (Joris Ivens, 1937)
(já tínhamos falado disto? filmado também durante a guerra..)
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22.1.14
Passagem de um texto de Rui Eduardo Paes sobre música, utopias e o livro The Dispossessed de Ursula Le Guin:
(...) Por algum motivo Kim Stanley Robinson, sustenta peremptoriamente que "a Ficção Científica é, presentemente, a mais importante forma de arte". Aliás, a FC tomou nos últimos 50 anos o lugar que as utopias tiveram desde, pelo menos, o século XVI e um visionário chamado Thomas Morus. Com a vantagem de o imaginário utópico actual, seja o projectado para outros planetas (The Dispossessed, Ursula Le Guin) como aquele que refere um tempo terrestre derivado dos presentes circunstancialismos (The Free, Mike Gilliland) ter perdido o clássico carácter distópico...
Afinal em Arrares, o mundo que aplica os princípios da filosofa anarquista Odo (cuja obra Le Guin imagina como uma síntese das ideias libertárias desde Proudhon até 1974, ano em que publicou o livro), no já referido The Dispossessed, a música, tal como de resto, todas as demais artes, "não é considera como tendo um lugar na vida, sendo antes uma técnica básica da vida, à semelhança do discurso falado". Se todos aprendem a cantar e a tocar um instrumento desde crianças e se todos criam (ou não) música quando o entendem, na sociedade odonista não há músicos profissionais nem propriamente "concertos". A música faz parte do quotidiano, mas não dispõe de um espaço próprio e diferenciado no aparelho de produção, nem de círculos de distribuição ou de divulgação específicos.
Até um ilustre, ainda que polémico, cientista como o protagonista Shevek dedica uma boa parte da sua atenção ao trabalho socialmente útil no imediato, surgindo a Física apenas como um part-time no seu dia-a-dia ou como uma actividade concentrada e períodos isolados na sua duração. Ora, não sendo a música considerada um bem de primeira necessidade, os odonistas criam-na somente nos tempos que o ensino da música lhes deixa livres, inserindo-a em contextos de socialização dos trabalhadores em que todos são músicos e ouvintes em simultâneo.
Como escreve Ursula Le Guin quando Shevek assiste a um espectáculo na capitalista Abbenay, "ele pensava que a música era algo que se fazia e não que se ouvia". Pela primeira vez, testemunha um momento musical fruto da divisão e da especialização do trabalho, em que músicos tocam para não-músicos. Esta diferenciação social entre "produção" e "consumo" está no cerne mesmo do fenómeno pop. Se todos tivéssemos habilitações musicais não haveria tops ou hits. Nem de resto, Ghost Mice ou Jello Biafra.
É neste ponto que a utopia da escritora norte-americana se confirma como uma contra-utopia, ou seja, uma utopia que a si mesma se denuncia, expondo, desmontando e recusando as suas tentações absolutistas. Mesmo não havendo governo, patrões e hierarquias, a sociedade e os seus utilitarismos constituem, ou podem constituir, um constrangimento à liberdade dos indivíduos.
Só em parte Bakunine tinha razão quando dizia que uma pessoa só é livre quando todas as outras também o são. Todos esses outros homens e mulheres livres podem ser a causa de não o sermos nós mesmos...
Como afirma a personagem Bedap sobre o "sofrimento espiritual" de alguém que deseje outra coisa que não aquilo que é pretendido pela generalidade dos cidadãos, alguém, por exemplo, que sinta a necessidade de se expressar musicalmente a tempo inteiro: "O sofrimento de pessoas que vêem o seu talento, o seu trabalho, a sua vida perdidos. De boas mentes submetidas a gente estúpida. De força e coragem estranguladas pela inveja, pela ganância do poder, pelo receio da mudança. A mudança é liberdade, a mudança é vida - há algo de mais básico no pensamento odoniano do que isso? Mas nada mais muda. A nossa sociedade está doente."
É o que se passa, precisamente, com Salas, o compositor. Porque os mandatados do Sindicato dos Músicos não gostam do que faz, impedem-lhe uma maior dedicação à escrita. Numa reacção de rebeldia, ele recusa-se a dar aulas... "É que eu não componho dessa maneira que se ensina no conservatório. Componho música disfuncional. Eles querem corais, mas eu odeio corais. Querem peças de harmonia aberta como as que Sessur escrevia, mas eu odeio a música de Sessur. Estou a escrever uma peça de música de câmara e vou chamar-lhe "O Princípio da Simultaneidade" [nota: o mesmo nome da teoria física de Shevek]: cada um dos cinco instrumentos toca um tema cíclico independente, sem causalidade melódica, com o processo de desenvolvimento surgindo inteiramente da relação entre as partes."
Infelizmente, como Sala conclui, "eles não ouvem, não querem ouvir". É a vertente colectivista da Anarquia que se contrapõe à individualista, comprovando que os preceitos comunistas de Kropotkine só fazem sentido quando se colocam em prática também os "egoístas" de Stirner, sob o risco de se instalar outro totalitarismo.
Repare-se no comentário de Bedap: "Como podem eles justificar esse tipo de censura? Tu compões música! A música é uma arte cooperativa, orgânica por definição, social. Pode ser a mais nobre forma de comportamento social de que somos capazes.E é com certeza um dos mais nobres trabalhos que um indivíduo pode desempenhar. Pela sua natureza, pela natureza de qualquer arte, é uma partilha. O artista partilha, é essa a essência da sua actividade." Ou seja, "a complexidade, a vitalidade, a liberdade de invenção iniciativa que estavam no centro do ideal odoniano estão a ser deitados fora". "Estamos a voltar à barbárie."
The Dispossessed vira os princípios anarquistas contra os próprios princípios anarquistas, apresentando a sociedade alternativa não como uma solução perfeita, mas como algo que tem os seus inerentes paradoxos e é necessário aperfeiçoar continuamente. Nada que se assemelhe ao congelado e estéril Falanstério de Fourier. Seja como for, um Jello Biafra ou um Lemmy não podem esperar um cenário minimamente parecido com aquele que os conduziu à fama. (...)
(...) Por algum motivo Kim Stanley Robinson, sustenta peremptoriamente que "a Ficção Científica é, presentemente, a mais importante forma de arte". Aliás, a FC tomou nos últimos 50 anos o lugar que as utopias tiveram desde, pelo menos, o século XVI e um visionário chamado Thomas Morus. Com a vantagem de o imaginário utópico actual, seja o projectado para outros planetas (The Dispossessed, Ursula Le Guin) como aquele que refere um tempo terrestre derivado dos presentes circunstancialismos (The Free, Mike Gilliland) ter perdido o clássico carácter distópico...
Afinal em Arrares, o mundo que aplica os princípios da filosofa anarquista Odo (cuja obra Le Guin imagina como uma síntese das ideias libertárias desde Proudhon até 1974, ano em que publicou o livro), no já referido The Dispossessed, a música, tal como de resto, todas as demais artes, "não é considera como tendo um lugar na vida, sendo antes uma técnica básica da vida, à semelhança do discurso falado". Se todos aprendem a cantar e a tocar um instrumento desde crianças e se todos criam (ou não) música quando o entendem, na sociedade odonista não há músicos profissionais nem propriamente "concertos". A música faz parte do quotidiano, mas não dispõe de um espaço próprio e diferenciado no aparelho de produção, nem de círculos de distribuição ou de divulgação específicos.
Até um ilustre, ainda que polémico, cientista como o protagonista Shevek dedica uma boa parte da sua atenção ao trabalho socialmente útil no imediato, surgindo a Física apenas como um part-time no seu dia-a-dia ou como uma actividade concentrada e períodos isolados na sua duração. Ora, não sendo a música considerada um bem de primeira necessidade, os odonistas criam-na somente nos tempos que o ensino da música lhes deixa livres, inserindo-a em contextos de socialização dos trabalhadores em que todos são músicos e ouvintes em simultâneo.
Como escreve Ursula Le Guin quando Shevek assiste a um espectáculo na capitalista Abbenay, "ele pensava que a música era algo que se fazia e não que se ouvia". Pela primeira vez, testemunha um momento musical fruto da divisão e da especialização do trabalho, em que músicos tocam para não-músicos. Esta diferenciação social entre "produção" e "consumo" está no cerne mesmo do fenómeno pop. Se todos tivéssemos habilitações musicais não haveria tops ou hits. Nem de resto, Ghost Mice ou Jello Biafra.
É neste ponto que a utopia da escritora norte-americana se confirma como uma contra-utopia, ou seja, uma utopia que a si mesma se denuncia, expondo, desmontando e recusando as suas tentações absolutistas. Mesmo não havendo governo, patrões e hierarquias, a sociedade e os seus utilitarismos constituem, ou podem constituir, um constrangimento à liberdade dos indivíduos.
Só em parte Bakunine tinha razão quando dizia que uma pessoa só é livre quando todas as outras também o são. Todos esses outros homens e mulheres livres podem ser a causa de não o sermos nós mesmos...
Como afirma a personagem Bedap sobre o "sofrimento espiritual" de alguém que deseje outra coisa que não aquilo que é pretendido pela generalidade dos cidadãos, alguém, por exemplo, que sinta a necessidade de se expressar musicalmente a tempo inteiro: "O sofrimento de pessoas que vêem o seu talento, o seu trabalho, a sua vida perdidos. De boas mentes submetidas a gente estúpida. De força e coragem estranguladas pela inveja, pela ganância do poder, pelo receio da mudança. A mudança é liberdade, a mudança é vida - há algo de mais básico no pensamento odoniano do que isso? Mas nada mais muda. A nossa sociedade está doente."
É o que se passa, precisamente, com Salas, o compositor. Porque os mandatados do Sindicato dos Músicos não gostam do que faz, impedem-lhe uma maior dedicação à escrita. Numa reacção de rebeldia, ele recusa-se a dar aulas... "É que eu não componho dessa maneira que se ensina no conservatório. Componho música disfuncional. Eles querem corais, mas eu odeio corais. Querem peças de harmonia aberta como as que Sessur escrevia, mas eu odeio a música de Sessur. Estou a escrever uma peça de música de câmara e vou chamar-lhe "O Princípio da Simultaneidade" [nota: o mesmo nome da teoria física de Shevek]: cada um dos cinco instrumentos toca um tema cíclico independente, sem causalidade melódica, com o processo de desenvolvimento surgindo inteiramente da relação entre as partes."
Infelizmente, como Sala conclui, "eles não ouvem, não querem ouvir". É a vertente colectivista da Anarquia que se contrapõe à individualista, comprovando que os preceitos comunistas de Kropotkine só fazem sentido quando se colocam em prática também os "egoístas" de Stirner, sob o risco de se instalar outro totalitarismo.
Repare-se no comentário de Bedap: "Como podem eles justificar esse tipo de censura? Tu compões música! A música é uma arte cooperativa, orgânica por definição, social. Pode ser a mais nobre forma de comportamento social de que somos capazes.E é com certeza um dos mais nobres trabalhos que um indivíduo pode desempenhar. Pela sua natureza, pela natureza de qualquer arte, é uma partilha. O artista partilha, é essa a essência da sua actividade." Ou seja, "a complexidade, a vitalidade, a liberdade de invenção iniciativa que estavam no centro do ideal odoniano estão a ser deitados fora". "Estamos a voltar à barbárie."
The Dispossessed vira os princípios anarquistas contra os próprios princípios anarquistas, apresentando a sociedade alternativa não como uma solução perfeita, mas como algo que tem os seus inerentes paradoxos e é necessário aperfeiçoar continuamente. Nada que se assemelhe ao congelado e estéril Falanstério de Fourier. Seja como for, um Jello Biafra ou um Lemmy não podem esperar um cenário minimamente parecido com aquele que os conduziu à fama. (...)
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21.1.14
Carta aos meus filhos sobre os fuzilamentos de goya
Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, porque tudo é possível, que ele seja aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo, onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém de nada haver que não seja simples e natural. Um mundo em que tudo seja permitido, conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer, o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós. E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto o que vos interesse para viver. Tudo é possível, ainda quando lutemos, como devemos lutar, por quanto nos pareça a liberdade e a justiça, ou mais que qualquer delas uma fiel dedicação à honra de estar vivo. Um dia sabereis que mais que a humanidade não tem conta o número dos que pensaram assim, amaram o seu semelhante no que ele tinha de único, de insólito, de livre, de diferente, e foram sacrificados, torturados, espancados, e entregues hipocritamente â secular justiça, para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de sangue.» Por serem fiéis a um deus, a um pensamento, a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas à fome irrespondível que lhes roía as entranhas, foram estripados, esfolados, queimados, gaseados, e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido, ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória. Às vezes, por serem de uma raça, outras por serem de urna classe, expiaram todos os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência de haver cometido. Mas também aconteceu e acontece que não foram mortos. Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer, aniquilando mansamente, delicadamente, por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus. Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror, foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha há mais de um século e que por violenta e injusta ofendeu o coração de um pintor chamado Goya, que tinha um coração muito grande, cheio de fúria e de amor. Mas isto nada é, meus filhos. Apenas um episódio, um episódio breve, nesta cadela de que sois um elo (ou não sereis) de ferro e de suor e sangue e algum sémen a caminho do mundo que vos sonho. Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém vale mais que uma vida ou a alegria de té-la. É isto o que mais importa - essa alegria. Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto não é senão essa alegria que vem de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém está menos vivo ou sofre ou morre para que um só de vós resista um pouco mais à morte que é de todos e virá. Que tudo isto sabereis serenamente, sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição, e sobretudo sem desapego ou indiferença, ardentemente espero. Tanto sangue, tanta dor, tanta angústia, um dia - mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga - não hão-de ser em vão. Confesso que multas vezes, pensando no horror de tantos séculos de opressão e crueldade, hesito por momentos e uma amargura me submerge inconsolável. Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam, quem ressuscita esses milhões, quem restitui não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado? Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes aquele instante que não viveram, aquele objecto que não fruíram, aquele gesto de amor, que fariam «amanhã». E. por isso, o mesmo mundo que criemos nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa que não é nossa, que nos é cedida para a guardarmos respeitosamente em memória do sangue que nos corre nas veias, da nossa carne que foi outra, do amor que outros não amaram porque lho roubaram.
Jorge de Sena
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